domingo, 4 de dezembro de 2011

Foto: Jacilene Oliveira

A criança dos 7 aos 11 anos

É a idade do fazer, produzir, projectar. Nessa fase, as crianças crescem e aprendem rapidamente. Estamos na maturidade da infância. Mas temos que levar em conta que as meninas evoluem mais rápido.
Quando chega aos 7 anos, já possui o seu carácter esboçado, a personalidade um pouco definida e a inteligência desperta. Perante si mesma tem um novo caminho a percorrer: alargar a sua consciência, alargar o conhecimento do mundo, ampliar o conceito das coisas. Dizendo-o de outra maneira, tem ante si a possibilidade de introduzir o mundo no seu interior.
Quando chega aos 7 anos, a criança volta a começar a vida. Esta a razão das crises que costumam ocorrer neste momento, crises que nalguns casos assustam os pais, porque crêem que o seu filho se torna tonto ou que perde a graça e a espontaneidade. Perante os novos movimentos e concepções parece que duvida, que não compreende as coisas tão depressa como dantes. Lentamente as dúvidas desaparecerão ante a maior firmeza dos conhecimentos, a lentidão transforma-se novamente em rapidez perante a maior clareza das novas concepções. Vencida a crise inicial, que em muitas crianças não se chega a dar, dia após dia incrementa-se o desenvolvimento da personalidade, com a qual o carácter e a afectividade – conservando o tom que já tinham – adquirem um aspecto mais definitivo.
Precisa de aumentar a confiança em si própria e nos outros. Tanto os pais como os professores devem inculcar-lhe confiança nas suas atitudes e segurança em si mesma. Em geral, é mais eficaz o elogio que a reprovação, mas vale mais esta que não dizer nada. Não se pode ser indiferente: há que elogiar ou reprovar. O aluno introvertido reage sensivelmente ao elogio, os extrovertidos precisam um pouco mais de repreensões.

1. Unidade e variedade da inteligência
A criança dos sete aos doze anos coloca a sua inteligência ao serviço da ampliação da sua consciência. Neste período, a inteligência vai-se aproximando da sua plenitude e pode ser definida como a faculdade com que elaboramos os novos conhecimentos adquiridos e para resolver problemas que a vida nos coloca.
Ou seja, a criança já possui uma inteligência com capacidade para adquirir e elaborar, mas é preciso não esquecer que a inteligência é um conjunto de facetas, de aspectos e de funções diversas que podem fazer com que duas pessoas muito inteligentes o sejam de maneira muito diferente. Este conjunto tende à unidade individual, ou seja, em cada indivíduo há uma inteligência, mas é diferente de pessoa para pessoa, porque a sua unidade fundamenta-se nesse conjunto de características diferentes, que o são na qualidade e na intensidade. Não se encontram em todas as inteligências as mesmas qualidades nem estas estão presentes com a mesma intensidade. Por outro lado, temos de considerar que a inteligência de cada indivíduo se diferencia segundo as circunstâncias do ambiente em que se desenvolve e segundo o tipo de rendimento que se lhe exige. Somente assim se compreende que um indivíduo, considerado muito inteligente pelos que o conhecem em determinado trabalho, seja considerado pouco inteligente pelos que o conhecem noutro trabalho ou noutro ambiente, onde o seu rendimento é diferente. Assim se compreende também que as crianças pareçam muito inteligentes na escola e o pareçam menos na vida social, ou que alcancem níveis elevados numa disciplina e não passem da mediocridade noutra.

2. A intuição
Dissemos anteriormente que a criança, à medida que se ia tornando mais rica em noções, ia empobrecendo em intuições, mas que isto não significava que ela deixasse de ser intuitiva. Nesta etapa, ela continua a ser intuitiva em maior ou menor grau e continuará a sê-lo sempre, porque a intuição é um auxiliar admirável da inteligência, quase um elemento próprio. Tal como a inteligência, a intuição proporciona-nos conhecimentos. Mas não os faculta por possessão antecipada do que se deve saber, enquanto que a inteligência os proporciona por meio da investigação.
Diferença essencial entre intuição e inteligência: com a intuição conhecemos as coisas sem saber como nem porquê, mas com a inteligência sabemo-lo. A intuição é a mentalidade em inspiração. A inteligência é a mentalidade em exercício. Daí que só podemos intuir uma coisa numa única vez, enquanto podemos reflectir sobre ela várias vezes.

3. A criança entra no uso da razão
Dos sete aos doze anos, a consciência da criança alarga-se cada vez mais com a ajuda da inteligência e da intuição. E diferente da consciência das idades anteriores, porque não é formada somente por factos e conhecimentos, sujeitos e objectos, mas pela posse e elaboração das ideias, ou seja, começa a pensar em abstracto.
Ela começa a usar a razão. Vai sendo capaz de julgar as coisas como bem e mal feitas. Por volta dos 10 – 11 anos começa a manifestar sintomas de espírito crítico e de rebeldia.
Com todas as suas faculdades, ajuíza do valor das coisas e, avançando em maturidade, alcança a razão que é o encadeamento dos juízos. Este encadeamento produz-se passando dum juízo para outro, mantendo estreita relação entre eles, de modo que os últimos juízos dependem ainda dos primeiros.
Até agora, o pensamento da criança produzia-se espontaneamente sem nenhuma direcção. Na criança dos sete aos doze anos, o pensamento organiza-se, tendo uma direcção, prevê as coisas que podem acontecer: trata-se dum pensamento racional. Agora, o seu pensamento já não é um simples jogo, tem uma finalidade. Pretende dar à consciência o valor de uma coisa universal, o valor duma consciência social, de introduzir o mundo dentro de si. Assim, a criança não perderá nada da personalidade peculiar; pelo contrário, será menos um indivíduo e será mais uma pessoa que pensa em si, mas em uníssono com um pensamento universal, com uma consciência social.

4. A criança entra na vida séria
Ao entrar no uso da razão, a criança começa também a entrar na vida séria. É mais responsável pelos seus actos ou, pelo menos, é capaz de progredir mais rapidamente no sentido de responsabilidade. Começam a notar-se mudanças na sua posição dentro da família, da escola e da sociedade. Por um lado não se conforma com um papel totalmente infantil, por outro exigem-se-lhe atitudes e trabalhos mais importantes. Na família, já não é um ser a quem se dá tudo feito. Ela também tem de fazer alguma coisa para si e para os outros. Na escola, os conteúdos escolares aumentam em quantidade e dificuldade, perdem em graça e encanto e, sobretudo, fazem penetrar na consciência da criança a ideia de que se dirigem à consecução de alguma coisa que só se obterá num futuro remoto.
A sociedade também começa a tratar a criança de outra maneira. Respeita-a de maneira diferente de quando tinha 3, 5 ou 7 anos; não lhe dá passagem com tanta facilidade, tem de aguardar a sua vez numa bicha. Mais ainda, impelem-na ou obrigam-na a estar presente numa festa, num desfile ou nalguma concentração onde se considera como um número mais, como um indivíduo.
Precisa de assegurar a sua posição nalgum grupo social. Daí, a procura e o incremento, nesta idade, dos grupos, clubes secretos, etc.
Tem afã de prestígio e procura-o na estatura, na força, no dinheiro, em jactâncias e rivalidades.
É precisamente neste momento que perde algo da sua maravilhosa e primitiva liberdade, começa a intuir que é um ser independente e quer actuar com independência. A criança precisa de sentir, nesta idade, a responsabilidade de realizar os seus projectos ou encargos, de encontrar oportunidades de se fazer valer e de experimentar certa liberdade nas suas acções. Enquanto vai fazer o recado à mãe, procura o insecto para um trabalho escolar, volta dum acto público que a organização a que pertence o encarregou, converte paradoxalmente a sua nova missão num acto de independência, que assume muitas vezes dentro da sua vida interior, vivendo na sua imaginação as façanhas de um Robin dos Bosques ou de qualquer outro herói da lenda.
A esta suposta independência acrescenta o seu constante “porquê”, que se vai tornando menos infantil e mais especulativo. O seu “porquê” adquire mais lógica e perde conformidade. Aponta para mais longe e não se contenta com uma resposta simples ou parcial. Pergunta fora do seio da família, pergunta ao colega, ao professor, ao livro; mas, sobretudo, pergunta a si mesma. Até aqui tinha adaptado a realidade ao seu Mundo interior. A partir de agora pressente que terá de acomodar o seu mundo interior á realidade que a circunda. E, às vezes, mistura graciosamente o gesto imaginativo de lançar uma flecha, como Robin, com a atitude de quem vai às profundidades do pensamento.
Se os seus pais estão atentos às suas necessidades espirituais e se o seu professor é inteligente, verificam com agradável surpresa que a criança já não só é uma criança, mas que se vai convertendo num amigo. Então pode ocorrer o mais maravilhoso e construtivo dos diálogos que por desgraça se malogra muitas vezes por culpa de um pai excessivamente atarefado, quando não distraído, ou por um mestre pedante, quando não negligente.
Durante este período de iniciação da emancipação dos adultos, a criança tem necessidade de carinho e boa orientação. Precisa de sentir que goza da confiança dos seus pais e educadores. Precisa de diálogo.
Quer haja diálogo ou não, a criança completa a sua busca de conhecimentos com um monólogo constante em que analisa tudo o que a realidade lhe oferece, tudo o que o ensino lhe fornece e, talvez acima de tudo, o que a sua inquietação pelo saber lhe faz descobrir.

5. Comportamento, sobretudo, a partir dos 10 anos
Em casa: Aumenta o interesse para com o pai. No entanto, aparecem os primeiros sintomas do desejo de independência. Prefere não participar nas saídas familiares. O que na verdade lhe interessa é o “grupo”.
No colégio: Sente ânsias de competir, de ganhar, de fazer-se notar. Entusiasmam-no os jogos de equipa e o seu sentido de solidariedade dentro do grupo é enorme. O espírito competitivo e de rivalidade entre as diversas quadrilhas é também notável…
Durante algum tempo, mais ou menos curto – conforme demore muito ou pouco a aparecer o período da puberdade -, a criança recuperará aquela primitiva intuição que lhe deu os primeiros conhecimentos e imaná-los-á com a nova razão adquirida, chegando com as duas a um dilatado caudal de saber.
Quantas lendas de fadas de gigantes, acumuladas por uma triste insensatez dos mais velhos, cairão neste momento! Quantos enredos, quantas respostas inexactas, quantas falsidades não serão postas em evidência e desmembradas peça a peça!
A criança, talvez sem se dar conta disso, começa a reconstruir o seu conceito da realidade, partindo da base de que as coisas não são o que são, mas o que deviam ser; que as coisas não se hão-de imaginar como lhe eram apresentadas, mas como deveriam ser.
Deste modo, a criança com a sua razão iluminada pela fé , intui a necessidade iniludível de princípios morais a que se deve ajustar a vida e verificará se a eles se ajustam os actos dos outros; a partir deste momento já não perguntará somente: E isto porquê? Mas dirá: “Isto está bem”.
As suas ideias morais são práticas e a sua interpretação da lei é literal e absoluta.
Ou seja, a criança terá transformado a consciência do puro acontecer psíquico numa consciência moral e compreenderá pela primeira vez de maneira clara, se não o total significado, pelo menos o valor absoluto dos Dez Mandamentos. O seu interesse e preocupação pelas questões sexuais aumentam consideravelmente.
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Bibliografia:
GESSEL, Psicologia evolutiva de 1 a 16 aflos, Ed. Paidós, Buenos Aires, 1963.
HURLOCK, Desarrolio Psicológico dei Nulo, Ed. del Castillo, Madrid, 1963.
“Nuestro Tiempo”, nº 211, Janeiro 1972. Este número é dedicado todo à adolescência.
HURLOCK, Psicologia de la adolescência, Ed. Paidós.
DEBESSE, La adolescência. Vergara. A adolescência é abordada do ponto de vista individual e social.
MORAGAS, Pedagogia familiar, Ed. Lumen, Barcelona, 1964.
Há já muito tempo que, por um desses contratempos informáticos, perdemos o nome do autor deste texto. Se o quiser citar num trabalho, coloque o endereço electrónico da página da Aldeia de onde o retirou.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

GORDURA ABDOMINAL X DOENCA CARDIACA



O aumento da medida da circunferência da cintura é um importante fator de risco para doenças cardíacas – que matam 17 milhões de pessoas todos os anos no mundo. 
Segundo Dr. Ricardo Pavanello, Supervisor de Cardiologia do Hospital do Coração, em São Paulo, uma cintura de mais 80 cm para as mulheres e mais de 94 cm para os homens representa um risco maior de doenças cardiovasculares.
Um homem com circunferência abdominal maior ou igual a 94 cm possui 3,25 vezes mais risco do que aqueles abaixo dessa medida. Estudos indicam que uma perda de 10% no peso pode proporcionar redução de até 30% na gordura abdominal.


ALGUMAS COMPLICACOES:


Doenças Cardiovasculares 
Hipertensão 
Diabetes 
Acidentes cerebrovasculares 
Apneia do Sono 
Doenças degenerativas




Dicas para o controle da Obesidade abdominal:
1. Para adultos, uma caminhada de 30 minutos por dia ajuda a reduzir os riscos de DCV;
2. Crianças podem ter 60 minutos de atividade física diária;
3. Procure ajuda de pessoas incentivadoras que participem com você ou mesmo lembrem sobre a importância da prática de exercícios;
4. Reduza o tempo que você e sua família passam diante da televisão ou do computador;
5. Exercícios físicos e dietas são considerados terapia de primeira escolha podendo levar a uma redução expressiva da circunferência abdominal;
6. Antes de dar início a qualquer programa de exercício ou reeducação alimentar, consulte seu médico;
7. Para medir corretamente o abdômen: pegue a fita métrica, tire a camisa e afrouxe o cinto; posicione a fita métrica entre a borda inferior das costelas e a borda superior do quadril. Relaxe o abdômen e expire no momento de medir.



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Mens sana in corpore sano


Há nas sociedades contemporâneas uma intensificação do culto ao corpo, onde os indivíduos experimentam uma crescente preocupação com a imagem e a estética.

Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a linguagem corporal é marcadora pela distinção social, que coloca o consumo alimentar, cultural e forma de apresentação – como o vestuário, higiene, cuidados com a beleza etc. – como os mais importantes modos de se distinguir dos demais indivíduos.

Quando você olha revistas, sites da internet e filmes, o padrão de beleza que vemos é: meninas bem magras, com cabelos lisos ou perfeitamente ondulados, extremamente impecáveis. Mas você acredita que, algum tempo atrás, isso seria considerado feiúra?

Antigamente, a gordura simbolizava nobreza. Mas por que a gordura se tornou algo a ser abominado para quem procura estar “em forma”?

O cinema de Hollywood ajudou a criar novos padrões de aparência e beleza, difundindo novos valores da cultura de consumo e projetando imagens de estilos de vida glamorosos para o mundo inteiro.

Preocupados com a busca desenfreada da “beleza perfeita” e pela vaidade excessiva, sob influência dos mais variados meios de comunicação, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica apresenta uma estimativa de que cerca de 130 mil crianças e adolescentes submeteram-se no ano de 2009 a operações plásticas.


A busca pelos padrões de beleza do seculo XX tornou-se obsessiva e destrutiva.

"Nossa sociedade tanto cultua o corpo como não cessa de desprezá-lo, comercializá-lo e coisificá-lo." Tatiane Pacanaro Trinca

Não podemos nos esquecer que o conceito de beleza é relativo, e que ela só é possível em um corpo saudável.

Para Platão, o belo é o bem, a verdade, a perfeição. Existe em si mesma, apartada do mundo sensível, residindo, portanto, no mundo das idéias.  

Devemos mudar o foco, investir em uma mudança de hábitos, e só assim alcançaremos uma beleza que talvez não seja visível aos olhos, mas que será duradoura e consistente.




Fonte: http://www.brasilescola.com/sociologia/a-influencia-midia-sobre-os-padroes-beleza.htm

terça-feira, 24 de maio de 2011

As fases da bailarina...


1) Sede de aprendizagem - Tudo começa quando uma mulher tem o primeiro contacto com a dança e vislumbra a possibilidade de vir a aprendê-la. Nesse instante, quer saber tudo o que a professora sabe, e acredita que em um mês estará totalmente desenvolta a fim de se apresentar para quem mais gosta.

2) Desânimo ao achar que nunca vai aprender (primeiros 6 meses) - Aparece nas primeiras dificuldades com movimentos mais elaborados e que necessitam coordenação específica.

3) Confiança em acreditar que pode fazer (1 ano) - Após superar o desânimo e continuar com perseverança seus estudos de dança, percebe que, com treino, consegue fazer alguns dos movimentos já suficientes para cumprir os objectivos para os quais se determinou.

4) A primeira dança para o público - É o momento mais importante. Aqui fica definida qual a estrada que vai trilhar. Se as palmas e os elogios acontecem, provavelmente inicia-se um processo de euforia e a crença de que poderá ir além.

5) Início de danças para o público com mais frequência (2 anos) - Início de uma fase difícil de lidar. A bailarina acredita que domina seu público e que "já sabe tudo"e "pode ensinar muito". Ouve pouco e fala demais. Inicia uma fase de auto-confiança semelhante a uma bolha, que pode esvaziar a qualquer momento. Ela mesma desenha para si uma promessa de sucesso; sua preocupação principal: o dinheiro que vai receber. O ego começa a contrastar.

6) Desequilíbrio com o ego e dificuldades em lidar com a humildade - Lida com elogios de forma desequilibrada, podendo perder os traços de humildade. É a tendência para criticar e o desconforto extremo quando vira para si o alvo da crítica. Nesse momento, geralmente, começa a dar aulas, despreparada e sem a generosidade necessária. Assim, não oferece a suas alunas o que de fato deveria.

7) Estrelismo (3 anos) - A pior de todas as fases. O momento negro na carreira da bailarina de dança do ventre profissional. Acredita que ninguém sabe mais do que ela: "todos precisam aprender". É a senhora das palavras, das opiniões e das verdades. Modéstia passa a ser uma palavra desconhecida e o convívio social é permeado pelo interesse profissional. Por vezes, ao ser questionada sobre seu tempo de estudos em dança do ventre adiciona todos os cursos de ballet que já fez na vida e diz "já estou trabalhando nessa área há dez anos", quando na verdade só começou a estudar a dança oriental há dois. A inflação no tempo de experiência pode ser estendida para a lista de apresentações profissionais e até mesmo a dança no clube do bairro está lá presente no currículo.

8) O sucesso não chegou como previsto - É o momento da dúvida: afinal, o que saiu errado? A cartilha dizia que era esse o caminho; em que ponto do mapa fica o sucesso tão almejado? O mapa, na verdade, não existe, e a bailarina percebe que precisará escrever seu próprio mapa, se desejar continuar.

9) Desânimo com o que já sabe - Acontece ao perceber que faz sempre as mesmas coisas, os mesmos movimentos, e dança sempre com as mesmas músicas. Surge a sensação de que parou no tempo. Já não se contenta mais com o pouco que desenvolveu e entra em depressão com a dança. Em muitos casos, acaba realizando suas apresentações meramente para angariar recursos financeiros; é uma fase perigosa, pois a tendência aqui é "criar" formas de chamar a atenção para a dança, coisas que ninguém nunca fez e que, eventualmente, podem ser um grande chamariz para atrair as pessoas ou a mídia. Um desrespeito à cultura e à arte. É uma fase de procurar atalhos.

10) Estacionar com o aprendizado (4 anos) - Além do tédio de ter que se apresentar sempre com as mesmas músicas, as mesmas roupas (pois o ânimo e a criatividade parecem que foram embora para sempre), agora parece que já não existem fontes confiáveis e conhecimentos para adquirir, e o jeito será manter a dança como fonte de renda financeira, por mais pesado que pareça este fardo; e aparece a preocupação "tenho que aumentar meu cachê... afinal já estou há quatro anos trabalhando como profissional!".

11) Indecisão sobre a dança e seus propósitos pessoais - A dúvida começa a pairar. Foi realmente um acerto ter escolhido esta estrada? Acredita que já aprendeu tudo o que podia. E mesmo assim o questionamento "ser uma estrela" ou "ser uma farsa" tem um grande impacto emocional.

12) Decisão de procurar novas fontes (5 anos) - Se conseguir superar a fase anterior, inicia-se um novo horizonte, com idéias, fluxos de criatividade e vibrações de possibilidades que antes pareciam obscuras.

13) Necessidade de reconhecimento - Começa a acreditar que ninguém, neste período todo de carreira, reconheceu seu valor e tudo o que aprendeu durante anos. O mundo não a compreendeu e não reconhece o talento visível que é.

14) Amadurecimento e respeito pela arte (10 anos) - É o momento em que se atinge o primeiro platô de sabedoria. Percebe que ainda não aprendeu absolutamente nada do que existe neste manancial de cultura e começa a respeitar mais seu corpo e seu aprendizado. Percebe que a estrada é mais longa do que imaginava e agora a incorpora para sempre. Já faz parte do seu sangue conviver com o aprendizado da dança. A humildade começa a aparecer e fica difícil a convivência com as iniciantes que se encontram na fase do desequilíbrio com o ego.

15) Procura incessante por novas fontes e maneiras de dançar - O prazer agora, mais do que nunca, está na descoberta do que durante tantos anos esteve oculto: o conhecimento. Encontra as respostas para muitas atitudes de antes e com tudo que toma contato percebe um sentido melhor, pois já teve oportunidade de sentir e compartilhar pessoalmente no passado.

16) Equilíbrio artístico e definição de métodos de ensino - Já não faz tanta diferença como os outros pensam ou como o mercado reage às suas investidas. Desenvolve seu trabalho procurando sempre ferramentas para aprimorar seus métodos para ensinar, passar a frente tudo o que aprendeu. O aprendizado e o aperfeiçoamento agora importam demais para si.

17) Especialização de danças e investimento na imagem (15 anos) - Começam a fazer parte do currículo danças folclóricas dos países árabes, mediterrâneo, sempre embaçadas em um amplo conhecimento em cada assunto. Seu nome começa a ganhar destaque no mercado da dança. Cresce a credibilidade e desenvolve um trabalho sério. Surgem os workshops.

18) Ensino do que aprendeu na carreira - Agora o mais importante é a “bagagem” que trás consigo, de maior conhecimento possível. Esta passa a ser a fonte de seu prazer. Sua dança só enriquece se descobre novas fontes de conhecimento; e delas sempre se utiliza para o aperfeiçoamento de movimentos e o ensino.

19) Plenitude na dança e fonte de pesquisas (20 anos) - O prazer artístico está alicerçado em conhecimento e saber; realiza com o corpo o que desejar e, graças aos anos de pesquisas empreendidas durante a existência, tudo tem coerência e os pontos de estudo parecem alinhavados.

20) Dúvidas sobre quando parar de dançar - É um momento delicado na carreira de toda bailarina e de qualquer artista. Relutância em acreditar que suas apresentações iniciam uma fase descendente em se tratando de tempo; super-valorização do momento presente. O tempo passa para todos.

21) Nostalgia e respeito público (mais de 25 anos) - Seu nome acaba sendo respeitado e admirado por todas aquelas que fazem parte do meio. As lembranças pessoais parecem recentes... Se conseguiu construir uma carreira íntegra, acaba tornando-se uma "lenda viva" na arte. Torna-se fonte de consultas permanente e admira-se com os novos talentos que despontam. No fundo, lamenta que todas tenham que passar por cada uma dessas fases, se quiserem chegar onde chegou. Umas se perderão no caminho, outras florescerão. Afinal, a vida sempre foi um turbilhão de desafios.

(Jorge Sabongi)

domingo, 15 de maio de 2011

Educar...


Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu.
O educador diz: “Veja!” – e, ao falar, aponta.
O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente…
E ficando mais rico interiormente ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria – que é a razão pela qual vivemos.
Já li muitos livros sobre psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação – mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à educação do olhar ou à importância do olhar na educação, em qualquer deles.
A primeira tarefa da educação é ensinar a ver…
É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo…
Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.
A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades… Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.
Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.
Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento… a capacidade de se assombrar diante do banal.
Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem.
Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci. E nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore… ou para o curioso das simetrias das folhas. Parece que naquele tempo as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam.
As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem… O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.
Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo e o mundo aparece refletido dentro da gente.
São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida.
Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio.
Rubem Alves nasceu em 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, Minas Gerais. Mestre em Teologia, Doutor em Filosofia, psicanalista, professor, poeta, cronista do cotidiano, contados de histórias e um dos mais admirados e respeitados intelectuais do Brasil. Ama a simplicidade, a ociosidade criativa, a vida, a beleza e a poesia; ama as coisas que dão alegria, a natureza e a reverência pela vida; ama também os mistérios, bem como a educação como fonte de esperança e transformação; ama todas as pessoas, mas em um carinho muito especial pelos alunos e professores; ama Deus,mas tem sérios problemas com o que as pessoas pensam ou dizem a Seu respeito; ama crianças e filósofos – ambos têm algo em comum: fazer perguntas.

http://www.releituras.com/rubemalves_bio.asp

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Minhocas podem ajudar a limpar solo contaminado

Cientistas descobriram como minhocas que consomem metal pesado acabam ajudando plantas a limpar solo contaminado.

Pesquisadores da Universidade de Reading, na Inglaterra, encontraram mudanças sutis nas propriedades de metais à medida que minhocas ingeriam e expeliam o solo onde esses metais se encontravam.

Essas mudanças fizeram com que fosse mais fácil para as plantas absorver metais pesados – altamente tóxicos e prejudiciais à saúde humana – da terra.

As plantas podem normalmente absorver metais pesados do solo e incorporá-los em seus tecidos, mas esse é um processo que pode levar bastante tempo.

Por isso, se as minhocas podem fazer com que os metais se tornem mais fáceis de ser absorvidos pelas plantas, elas se tornarão as “guerreiras ecológicas do século 21″, disseram os cientistas no British Association Science Festival, em Liverpool.

Segundo os pesquisadores, as minhocas são verdadeiros “detetives do solo”: a presença delas pode ser um indicativo sobre a saúde geral da terra.

Esse papel é possível porque as minhocas desenvolveram um mecanismo que permite que elas sobrevivam em solo contaminado com metais tóxicos, incluindo arsênio, chumbo, cobre e zinco.

“As minhocas produzem um tipo de proteína que envolve determinados metais e as mantêm seguras (de intoxicação)”, explicou o pesquisador Mark Hodson.

A análise dos metais foi possível com o uso de um equipamento chamado Diamond Light Source, que utiliza a tecnologia de raios-X para determinar a propriedade de partículas “mil vezes menores do que um grão de sal”.

Fonte: BBC News – Elizabeth Mitchell
http://www.revistameioambiente.com.br/2008/09/12/minhocas-podem-ajudar-a-limpar-solo-contaminado/